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segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

Psicoterapia e Esporte: Exercícios de Amor Próprio

     Durante uma psicoterapia é esperado que os clientes desenvolvam autoconhecimento, aprendam habilidades sociais mais adaptativas, façam enfrentamentos gradativos, sintam-se mais harmonizados com seus ambientes e que se tornem terapeutas de si mesmos. Se você estiver em um processo psicoterapêutico ou tem interesse em iniciar algum acompanhamento psicológico, saiba que profissionais da psicologia irão, em geral, incentivar seus clientes a adotar práticas que auxiliem neste processo. É possível que seu ou sua psicoterapeuta incentive alguma prática de esporte, algum contato com arte ou alguma interação em grupos com os quais você se identifique. Tais atividades irão calibrar o aprendizado adquirido em psicoterapia e poderá agilizar e fortalecer o processo.
    Sabemos que ambientes desafiadores, estimulantes e acolhedores aumentam a probabilidade de ocorrência de comportamentos que produzem bem estar aos indivíduos.

Assim, se você está engajado em uma psicoterapia e em concomitância você pratica alguma atividade esportiva, artística ou qualquer outra que exija amplo repertório comportamental, então terá a probabilidade aumentada de aprender autoconhecimento, habilidades sociais e conseguirá enfrentar melhor suas dificuldades. Por isso, ao se engajar em um processo psicoterapêutico, esteja aberto às propostas da terapia e se beneficie!
Uma de minhas pacientes, Luíza (nome fictício) foi incentivada à prática de esportes em decorrência de seu repertório com as atividades do vôlei. Durante seu processo, identificamos que uma atividade recreativa estava contribuindo não só para seu bem estar físico como estava ajudando no desenvolvimento de sua autoestima e nas habilidades sociais. Combinamos que ela escreveria sobre esta parte de seu processo e o texto ficou tão didático e belo que pedi sua autorização para postá-lo neste blog. Segue:

O esporte como exercício de amor próprio *
                Para além das questões orgânicas, cada pessoa desenvolve seu corpo de forma singular. O corpo, por sua vez, recebe constantemente influência do ambiente que o molda ao longo dos anos. E, numa via de mão dupla, este mesmo ambiente também é constantemente transformado pela maneira como nos expomos a ele. Assim, se constrói um corpo que pode ser rígido ou flexível, leve ou carregado, livre ou aprisionado, etc.
               

Eu vivi uma relação um tanto contraditória com meu corpo. Desde a infância, a timidez, a introspecção e a dificuldade de interagir socialmente foram moldando um corpo fechado, medroso, travado. Porém, o respiro se dava nas brincadeiras de correr, de andar de bicicleta, de jogar bola, de praticar esportes. Nesse contexto os movimentos eram livres e despreocupados. 

                Então, veio a adolescência, fase em que a gente parece não se enquadrar em lugar nenhum, e todos os medos passam a paralisar o corpo e o processo de interação com o mundo. Mas, como novo refúgio, o vôlei passou a ocupar um espaço maior na minha vida. Então, na quadra, minha energia, antes retida, se liberava junto com o suor, com o esforço, com a marcação do ponto.
                Chegou a época de decidir o que fazer da vida profissional e eu, sempre carregando sentimentos de inadequação e desconforto em relação ao meu papel no mundo, enxergava como única possibilidade de escolha uma formação que estivesse ligado ao esporte. Foi assim que iniciei a graduação em educação física. Lá enfrentei grandes desafios de exposição ao ambiente. Nunca me esqueci de uma aula de dança contemporânea onde tive que fazer uma apresentação individual valendo nota. Tentei imitar os colegas que se apresentaram antes. Eu tinha apenas que realizar movimentos lentos e desordenados acompanhando o ritmo suave da música. Fácil, não? Ficar no meio de uma roda de pessoas, dentro de uma sala espelhada e sendo avaliada pela professora? Não!!! Não foi nada fácil. No final da apresentação uma colega querida disse, pra minha surpresa, que me saí bem. Mas eu só queria que aquele momento passasse logo, me sentia desconfortável e ridícula; queria fugir.
                Já nas modalidades de quadra me sentia bem mais à vontade, me adaptava facilmente aos movimentos rígidos dos esportes com suas regras claras. Ao final de quatro anos veio a formatura, no entanto, não tive estrutura emocional para encarar os desafios pessoais da profissão, por exemplo, ministrar aulas. Era mais confortável sentar em frente a um computador e resolver questões burocráticas e repetitivas.
                E assim, passaram-se os anos e não atuei na minha área de formação. Mas sempre busquei o esporte como abrigo, como fonte de prazer, como forma de liberar a energia represada e, sobretudo, como uma maneira de ser e estar no mundo. Hoje, com 37 anos, e experimentando um processo gradativo e cuidadoso de autoconhecimento, o esporte continua sendo meu grande aliado no enfrentamento dos obstáculos pessoais e na busca pelo amor próprio. Quando estou na aula de vôlei sinto que aquele momento é só meu, interajo com as colegas sem expressar timidez e a sensação de alegria e bem-estar é indescritível.
                Ganhar ou perder é o que menos importa. O mais valioso é o sentimento de pertencimento a um grupo e todo o aprendizado decorrente da exposição neste contexto. Dito isso, a prática de esporte tornou-se, para mim, um exercício de amor próprio em razão dos ganhos em saúde (melhora no condicionamento, na disposição física e nas taxas de colesterol), autoestima (sensação de capacidade, de empoderamento e de autoconfiança) e habilidades sociais (criação de vínculos de amizade, expressão de opiniões, sentimentos e atitudes).

*Autorizado para publicação utilizando o nome fictício Luíza.


quarta-feira, 16 de novembro de 2016

A Análise do Comportamento na Prática Clínica: Utilizando o Modelo Selecionista Para Compreender as Queixas dos Indivíduos.

Profissionais da Psicologia em sua prática clínica se deparam com fenômenos diversos. Entendem que o indivíduo precisa ser acolhido e que seus comportamentos precisam ser analisados desde a raiz até o presente momento. Assim, será possível revelar as variáveis responsáveis pela aquisição e manutenção dos comportamentos e, assim, prever ocorrências no futuro.

Os comportamentos que são de interesse dos psicólogos e analistas do comportamento são resultado da interação entre os organismos e os ambientes ao longo de uma linha temporal. A concepção do que vem a ser comportamento a partir de uma visão científica foi desenvolvida pelo pesquisador B. F. Skinner em 1945 com a proposição da filosofia BEHAVIORISMO RADICAL.


O Behaviorismo ou comportamentalismo é uma atividade filosófica que se ocupa, principalmente, de questões acerca da natureza do comportamento humano e quais são os meios adequados para estudá-lo (Moreira, 2007). O termo RADICAL vem de RAIZ (origem). Assim, Behaviorismo Radical é a atividade filosófica, cujo objeto de análise é o comportamento a partir de suas origens.

Parte da compreensão dos fenômenos comportamentais se faz possível a partir do Modelo Selecionista, cuja origem do termo se origina da teoria evolucionista da Seleção Natural de Charles Darwin e Alfred Wallace para explicar a origem das espécies. Na Seleção Natural, membros de uma mesma espécie com características mais adaptativas ao ambiente em que vivem têm mais chances de sobreviver e de passar suas características aos seus descendentes. Skinner amplia o modelo selecionista ao estendê-lo para a esfera ontogenética e cultural. Assim, não é só na origem das espécies (filogênese) que a seleção atua, também na história de vida do indivíduo (ontogênese) e nas práticas culturais de um povo (Skinner, 1953/2000).


O Modelo Selecionista não recorre somente às explicações biológicas/genéticas como determinantes dos comportamentos. Por meio da ontogênese e da cultura, os comportamentos, frutos das interações entre os organismos e os ambientes, são selecionados ou não por suas consequências. Assim, o clínico emprega o raciocínio selecionista na compreensão de como os comportamentos dos clientes foram adquiridos e estão sendo mantidos.


Exemplo: Queixa de ansiedade ou diagnóstico de Transtorno de Ansiedade Generalizada (CID:F41.1). Após identificar os comportamentos que caracterizam a ansiedade (respostas biológicas, pensamentos, padrões de fuga/esquiva, etc), é necessário contextualizar as situações passadas e atuais a ela relacionadas.

• Quais são as variáveis determinantes da ansiedade e por que ela se mantém no contexto atual? Qual é a função da ansiedade na vida de um indivíduo específico?

O Modelo Selecionista ajuda o clínico a responder as questões acima pautando sua análise por meio das seguintes reflexões:

     • Por mais que um padrão comportamental esteja trazendo problemas a alguém, por mais que este alguém esteja insatisfeito com sua forma de agir, tais comportamentos foram fortalecidos no passado em um ou mais contextos.

     • Tais comportamentos foram funcionais ao remover, evitar ou atenuar punições ou a garantir reforçadores positivos.

     • Dizer que os comportamentos são produtos da interação entre os organismos e os ambientes ao longo de uma linha temporal e que é nesta interação que encontraremos as variáveis de aquisição e manutenção dos comportamentos, é dizer que esta análise trará mais coerência entre o que aconteceu no passado com o que ocorre no presente da vida dos indivíduos.

Questões Éticas

Alguns aspectos éticos em Psicologia envolvem a questão da mudança comportamental. Para o analista do comportamento, é fundamental avaliar as contingências que levam alguém a querer mudar, ou seja, mais importante do que querer ou não mudar, é o que leva alguém a querer ou não mudar. Em algumas situações, respostas que trazem consequências punitivas, podem ser fortalecidas em outras ocasiões. Assim, os padrões comportamentais precisam ser compreendidos a partir das variáveis atuantes ao longo do desenvolvimento do indivíduo. Padrões do comportamentos que são socialmente indesejáveis, também podem gerar benefícios para um indivíduo específico. Apenas produzir alterações na vida das pessoas sem considerar a seleção comportamental, além de ser um atropelo à identidade do sujeito, pode também gerar mais prejuízos do que ganhos.

Referências

Moreira, M. B. (2007). Curtindo a vida adoidado: Personalidade e causalidade no behaviorismo radical. Em A. K. C. R. de-Farias & M. R. Ribeiro (Orgs.), Skinner vai ao cinema (pp. 11-29). Santo André: ESETec.

Skinner, B. F. (1953/2000). Ciência e Comportamento Humano (J. C. Todorov & R. Azzi, trads.). São Paulo: Martins Fontes. 

quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

Terapeuta de mim mesma!

*Produção artística sobre o processo terapêutico da cliente Flávia (nome fictício).

O meu passado me atormentava,
Era como um vício que me consumia.
E eu fazia sofrer
E maltratava as pessoas que eu mais amava.

Noite e dia as lembranças me invadiam
Me fazendo lembrar de tudo.
Tudo que eu queria esquecer.

   E quando vinha o cair da noite
   Cada ingrediente dava um toque especial
   No preparo do nosso banquete.
   Dava tudo muito certo no final!

Os meus problemas duravam uma eternidade
E os meus medos e receios
Se tornaram os protagonistas da minha realidade.

Por tantas vezes eu quase perdi
A pessoa que eu mais amo.
Amo e não sabia viver.

O que não tem cura
E porque remediado está.

O que já se foi
Os meus sonhos não vai perturbar.

De um jeito ou de outro
Logo, logo isso vai passar!

Não posso ir além
Daquilo que consigo alcançar.

   Se eu enfrentar, vou vencer
   Terapeuta de mim mesma vou ser!


*Autorizado para publicação em 29/12/2015.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

O Que Parasita Você?

     Navegando pela internet, encontrei um texto que descreve a relação de um fungo parasita e uma formiga. Bem... Não é exatamente uma relação, já que o fungo parasita "comanda" e "influencia" a formiga para seu próprio benefício. A formiga, nesta história, é apenas uma marionete, um zumbi.
     A história é a seguinte: O fungo parasita infecta a formiga e deixa-a viva por um tempo; durante sua hospedagem o fungo "controla" os comportamentos da formiga, faz com que ela saia de seu ninho e procure outras regiões. As formigas sobem em folhas rasteiras, e morde-as logo antes de morrer. Depois da morte da formiga, o fungo continua a crescer, e por meio de mecanismos particulares, libera esporos e infecta outras formigas que passarem pelo local. Continuando com o processo, o parasita usa o corpo da formiga como alimento.
     Este fenômeno da natureza é muito curioso e me serviu como uma boa analogia para pensar a respeito de parasitas que podem influenciar a vida humana. Quando pensamos sobre as pessoas que comandam guerras, sobre políticos corruptos, criminosos ou indivíduos com comportamentos bizarros, logo dizemos: "O que essa pessoa tem na cabeça?". Dificilmente será um parasita; pelo menos não um com as mesmas habilidades do fungo que "controla" a formiga.
Podemos pensar que os controles e influências da vida humana são aqueles de uma ordem mais cultural e que não afetam só a cabeça ou cérebro dos indivíduos, mas o organismo da pessoa como um todo, bem como suas relações com o mundo em que vive. Nesse sentido, fica fácil traduzir a analogia da formiga zumbi "controlada" por um habilidoso parasita.
Salvador Dali
     Quais os parasitas que mais podem influenciar as condutas humanas? A religião, a escola, a família e tantos outros elementos sociais e culturais. Acontece que, diferentemente da formiga, nós dispomos de mecanismos para avaliar e interpretar estes controles; as mensagens que nos passaram desde nosso nascimento. Assim, podemos decidir se estes parasitas podem contribuir ou prejudicar o desenvolvimento de nossas vidas.
     Este processo de avaliação, interpretação e decisão sobre o que nos controla é uma tarefa que envolve primeiramente a identificação das influências socioculturais (dos parasitas). Em conjunto com este processo, será necessário um exercício constante, rígido, porém fantástico, de autoconhecimento. Dispondo destes e de outros instrumentos, nós seremos capazes de fazer escolhas importantes para nossa vida.
         É possível perceber que todo este processo não é tão fácil e envolve um movimento de construção e desconstrução que pode levar algum tempo. Para tanto, sugiro que se inicie uma Psicoterapia; um processo psicoterapêutico ajudará, primeiramente, no delineamento do que contribui para a subjetividade e, posteriormente, nas escolhas sobre o que fazer com os esses parasitas socioculturais.


Sugestão de Leitura: Parasitas transformam formigas em zumbis obedientes. Em http://hypescience.com/19932-parasitas-transformam-formigas-em-zumbis-obedientes/

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Os Papeis e os Saberes da Psicologia.


  Quando ingressei no curso de psicologia aprendi que o papel central do psicólogo firma-se na avaliação de comportamentos e contextos para que seja possível a modificação destes comportamentos e contextos caso estejam interferindo no bem estar do indivíduo e/ou grupo. Para avaliar os objetos psicológicos e estabelecer uma futura intervenção, o psicólogo deve aprender e carregar um conhecimento vasto sobre os elementos que compõe as demandas humanas.
  Na realização de seu trabalho, o psicólogo se comunica com outras áreas do conhecimento humano, como: biologia, medicina, filosofia, sociologia, sexologia, educação, etc.  Ressalta-se também aqueles profissionais psicólogos que buscam conhecimentos sobre as demandas espirituais de seus clientes. Contudo, é possível conceber a psicologia como um saber vasto e colorido de outros saberes. E é evidente que essa multidisciplinaridade de conhecimentos abra diversos campos e papeis para a prática dos psicólogos.
  Acontece que a prática da psicologia, há um tempo significativo, vem sendo contestada pela falta de exclusividade para com o conhecimento humano.
Vi e ouvi, durante minha formação e vida profissional, pessoas apontando que o psicólogo pode ser substituído por qualquer outro profissional em qualquer outro contexto. Vejamos: Um psicólogo clínico pode ser substituído por um psiquiatra, ou filósofo clínico, ou terapeuta espiritualista? Um psicólogo escolar pode ser substituído por pedagogo, psicopedagogo ou orientador escolar? Um psicólogo social pode ser substituído por um sociólogo ou assistente social? Um psicólogo organizacional pode ser substituído por um administrador?
  Para responder estas perguntas eu cito aqui parte do Art. 4º da Lei nº 4.119, 27 de agosto de 1962, que dispõe sobre a Profissão de Psicólogo - São funções do psicólogo:
1) Utilizar métodos e técnicas psicológicas com o objetivo de:
a) diagnóstico psicológico; b) orientação e seleção profissional; c) orientação psicopedagógica; d) solução de problemas de ajustamento.
  Agora pergunto: Somente os psicólogos conseguem cumprir com estas funções? Estamos vendo que não. E por esse motivo é que sabemos que os outros profissionais citados acima, além de partilharem conhecimentos parecidos com os da psicologia, podem ajudar também nas demandas humanas assim como um psicólogo faria.
  E a exclusividade do manuseio e análise dos testes e instrumentos psicológicos garantida pela Lei nº 4.119/62 e pela Resolução CFP n° 02/2003? Embora seja uma prática privativa dos psicólogos, sabemos que muitos profissionais não utilizam testes em seus trabalhos. Além disso, boa parte dos instrumentos psicológicos não foram produzidos por psicólogos e não avaliam construtos que só psicólogos dominam.
  Estamos diante de uma polêmica quanto à prática profissional dos psicólogos. E frente a esta polêmica eu me posiciono apontando que os saberes da psicologia, por serem multidisciplinares, precisam muito mais de bases teóricas fortes e de procedimentos que diminuam as armadilhas das inferências e que apontem para evidências.      Neste sentido, as pesquisas em psicologia estão contribuindo bastante e isso já ajuda no delineamento de uma psicologia forte e indispensável para a sociedade. Mas acredito que as Universidades ainda precisam rever os conteúdos e conhecimentos repassados aos futuros psicólogos, pois tenho visto muitos profissionais descomprometidos com a responsabilidade social, científica e ética da psicologia. Tenho visto psicólogos chiques com discursos chiques e sedutores, mas sem apresentar nenhuma evidência verídica de suas falas. Isso desqualifica a profissão e abre contestações quanto às nossas práticas.
  Se nós psicólogos escolhemos esta profissão para responder as demandas humanas e estabelecer intervenções em prol da saúde mental dos indivíduos e grupos, precisamos voltar às funções de nossa profissão e ressignificar nossas práticas enfocando nosso compromisso com a sociedade, com a ciência e com a ética.

Sugestão de Leituras:
Profissão de Psicólogo - Lei nº 4.119, de agosto de 1962. Em http://portalsaude.vilabol.uol.com.br/4119_1962.htm

Resolução CFP nº 2 / 2003. Em http://www.pol.org.br/pol/cms/pol/legislacao/resolucao/resolucao_2003_002.html

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Relembrando e Relatando Traumas em Psicoterapia

     O trauma diz respeito a um tipo de dano psicológico provocado por eventos aversivos. Em outras palavras, um trauma pode acontecer em decorrência de situações em que estão presentes elementos (estímulos) estressores, coercitivos e/ou ameaçadores para a pessoa.


Dependendo da intensidade da situação aversiva, seus subprodutos (medo, ansiedade, culpa, esquiva, fuga, pânico, etc.) podem continuar afetando o organismo mesmo não estando presente no momento atual de vida da pessoa. Isso acontece por que a lembrança, o relato, ou qualquer outro comportamento que “evoque” a situação estressora, sinaliza o reaparecimento dos elementos que compõe o evento aversivo e suas consequências danosas. Relembrar e relatar eventos traumáticos também podem produzir angustia, ansiedade, medo e desconforto geral na pessoa; a esquiva de relembrar e  relatar contribui para que a pessoa não sinta o mesmo desconforto  da situação traumática original fazendo com que o indivíduo não se sinta ameaçado e que se sinta “confortável”. Sendo assim, é possível compreender alguns motivos pelos quais as pessoas evitam relembrar e relatar um evento traumático em psicoterapia; e esse comportamento de evitar contato (relembrando e relatando) com a situação aversiva prejudica o processo terapêutico quando a queixa principal está relacionada ao trauma.
     Como o objetivo central da psicoterapia é contribuir para a resolução das queixas dos clientes, é preciso que os clientes relembrem e relatem sobre eventos de sua história que podem ter contribuído para a manutenção de seus comportamentos (pensamentos, sentimentos, ações, etc.) atuais.
     Considerando que esse processo pode gerar sofrimento para os clientes é preciso investir na relação terapêutica para que o cliente se sinta seguro em falar sobre os elementos aversivos de sua história e, além disso, é importante que o psicoterapeuta busque bloquear os comportamentos de esquiva para que o cliente entre em contato com sua história e seus danos. Tanto o vínculo terapêutico quanto o bloqueio da esquiva contribuem com o enfraquecimento de padrões comportamentais que envolvem o “esquivar-se” de lembranças e relatos dos eventos aversivos.
     Entrar em contato com estímulos aversivos em psicoterapia produz não só sentimentos “negativos”, mas também ajuda o cliente a reduzir os efeitos da situação aversiva por meio da aprendizagem de novas alternativas para lidar com seus traumas (Kohlenberg e Tsai, 1991/2001).

Compreendendo alguns termos
Esquiva: Comportamento em que o organismo evita entrar em contato que estímulos que lhe foram danosos no passado.
Eventos Aversivos: Algo que gera incômodo, dor física e emocional, constrangimento, etc.
Os eventos aversivos podem gerar ansiedade, medo, desprazer, fuga e esquiva, além disso, podem contribuir para a aprendizagem de comportamentos agressivos.
Padrões Comportamentais: Formas em que o organismo apresenta uma maneira de se comportar que sempre se repete em situações semelhantes.

Sugestão de leitura
Kohlenberg, R. J. & Tsai, M. (1991/2001). Psicoterapia analítica funcional: Criando relações terapêuticas intensas e curativas (F. Conte, M. Delitti, M. Z. da S. Brandão, P. R. Derdyk, R. R. Kerbauy, R. C. Wielenska, R. A. Banaco, R. Starling, trads.). Santo André: ESETec.

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Psicoterapia e Cura

Já tem um tempinho que eu gostaria de escrever sobre "a cura" em psicoterapia. E para não escrever algo extenso e muito polêmico, optei em expor um pequeno trecho do livro Cartas a um Jovem Terapeuta.


"Qualquer cura tem duas faces: uma, digamos assim, demolidora, que desfaz as certezas cristalizadas da história que nos acua em sintomas que, à vista de nosso passado, parecem inelutáveis, e outra, construtiva, que nos permite reinventar ou modificar um pouco a história da qual seríamos o fruto".



Calligaris, C. Cartas a um jovem terapeuta: Reflexões para psicoterapeutas, aspirantes e curiosos. Rio de      Janeiro: Elsevier.

terça-feira, 19 de abril de 2011

Trabalhando com Sentimentos de Luto

     Em geral, as pessoas usam o termo "luto" para se referirem aos comportamentos apresentados por uma pessoa que perdeu alguém querido por meio da morte. Mas se considerarmos nossos sentimentos de profunda tristeza quando perdemos algo, seja um objeto, um animal de estimação,  rompimento em uma relação, etc, então o termo "luto" também cabe nessas situações diversas.
     O que caracteriza o luto é uma classe de comportamentos, ou melhor dizendo, um conjunto de comportamentos que se expressam por meio de ansiedade, evitação, revolta, culpa, medo, profunda tristeza, etc. A expressão desses comportamentos pode variar de intensidade quando se considera o grau dos sentimentos que uma pessoa pode ter depositado no objeto perdido. Além disso o luto também pode funcionar como uma notícia que não será possível evitar a dor da perda.
      Mas, então, como é possível enfrentar e "se curar" do luto?
     Embora o afastamentos dos contados sociais sejam comuns em processos de luto, essas esquivas sociais precisam de certo cuidado, já que os contatos sociais poderão contribuir para a retomada da realidade, para a aceitação da perda e para a construção de uma nova história focada no futuro. 
      A intervenção psicoterapêutica, além de ajudar como uma forma de contato social, pode contribuir com técnicas de relaxamento para aliviar a ansiedade, propor novos questionamentos sobre o significado e a superação da perda, propor uma nova avaliação e aprendizagem de que as perdas são inevitáveis e podem trazer novos ganhos.

Site recomendado:



terça-feira, 29 de março de 2011

Psicoterapia em Grupo para Homens e Mulheres Homossexuais


Quem tiver interesse, entre em contato!

Amigos, indiquem pessoas que podem se interessar por esse tipo de Psicoterapia!

segunda-feira, 21 de março de 2011

O que é Autoconhecimento?


A expressão "Autoconhecimento" é acolhida por muitas áreas filosóficas, científicas, religiosas ou místicas. Ter autoconhecimento, nas visões não científicas, é considerar que há processos ou entidades internas que comandam as ações dos humanos.
Para a psicologia comportamental o autoconhecimento é uma expressão comportamental onde a pessoa verbaliza um conhecimento sobre as causas, os controles, os contextos e as consequências do próprio comportamento. Esse conhecimento sobre si mesmo é aprendido com o contexto (comunidade verbal) no qual a pessoa vive.
Muitas pessoas não possuem habilidades "autoconscientes" porque muitas vezes não estão atentas aos eventos ambientais que antecedem seu comportamento, ou às consequências de seus comportamentos que ocorrem no seu cotidiano.
Geralmente as pessoas respondem ao seu ambiente de forma pouco consciente. Se perguntarmos à maioria dos fumantes "Por que você fuma?" eles podem dar as seguintes respostas: "Por que é bom; por que é relaxante; por que eu gosto; por que eu preciso, etc." Esse tipo de resposta demonstra um nível baixo de autoconhecimento (ou um jeito de resumir o assunto!). Para a pergunta sobre fumar, as pessoas "autoconscientes" poderiam responder: "Eu fumo por que aprendi com meus pais que são fumantes; fumo por que acho elegante; fumo por ser muito ansiosa e no momento o cigarro alivia minha ansiedade; fumo por que tenho prazer e mesmo sabendo das consequências devastadoras meu desejo pelo fumo ainda é maior do que pela minha saúde; fumo por todos os motivos acima e ainda considero que o cigarro é um válvula de escape para problemas psicológicos que não quero entrar em contato, etc."
O exercício do autoconhecimento é um processo longo, trabalhoso e muitas vezes doloroso. Como é possível ter autoconhecimento? Buscar entender e relacionar os eventos de sua própria história e de seu contexto atual é um bom exercício. Nesse sentido a Psicoterapia é capaz de contribuir para este processo, já que ter autoconhecimento é fundamental para a construção de novos repertórios comportamentais e para a resolução de problemas.

Sugestões de leitura

Skinner, B. F. (1982). Sobre o behaviorismo. São Paulo: Cultrix.
Skinner, B. F. (1993). Ciência e comportamento humano. São Paulo: Martins Fontes

terça-feira, 8 de março de 2011

Uma Pequena Reflexão Sobre as Escolhas.



Todos os dias temos que fazer escolhas. E esse processo nunca é fácil, pricipalmente quando existem expectativas vindas do mundo fora da nossa intimidade. As escolhas terão que ser feitas, ora pra suprir uma necessidade íntima, ora para suprir a expectativa do outro. A dor gerada por este processo se constitui por nunca sabermos quais serão as repercussões de nossas escolhas. Podemos sentir satisfação ou frustração, surpresa ou arrependimento, mas não temos controle sobre o que vamos exatamente sentir após feitas as escolhas. De qualquer forma as escolhas deverão ser feitas, os mundos externos e internos exigem isso!
Barreto, W. (2009)

segunda-feira, 7 de março de 2011

A Importância da Psicologia Clínica



A Psicologia é uma área do conhecimento humano que há algumas décadas vem sendo utilizada como instrumento para a promoção de saúde global. As pesquisas, as teorias e as aplicações sobre conhecimentos filosóficos e científicos deram um colorido especial à atuação do Psicólogo Clínico e tornaram relevante a existência da Psicoterapia.
A Psicoterapia diz respeito ao uso de técnicas psicológicas elaboradas que incentivam o entendimento e a mudança dos problemas emocionais, comportamentais e interpessoais (Hockenbury & Hockenbury; 2003). Em outras palavras, a Psicoterapia é um processo no qual o indivíduo encontrará meios para compreender suas dinâmicas internas, adquirir autoconhecimento, aprender resolver conflitos e aprimorar seus contatos afetivos. Além disso, o processo Psicoterapêutico pode levar o indivíduo a encontrar saúde física e mental.
O Psicólogo Eduardo Trindade de Araújo (2010) em entrevista à Folha de Niterói pontuou que a Psicoterapia ajuda o cliente a readquirir o controle de suas emoções, o que possibilita melhores resultados no tratamento de várias doenças. O Psicólogo ainda afirma que o desequilíbrio emocional dos indivíduos pode facilitar o aparecimento de doenças ou mesmo agravar os sintomas já existentes.
Para a Psicóloga Andréa Andrade (2009) a Psicoterapia ocupa hoje um lugar fundamental na área da saúde e pode cumprir também uma função de educação para a vida, oferecendo um espaço para reflexão, com instrumentos e conhecimentos que podem ajudar na orientação e condução da vida das pessoas.
Como Analista do Comportamento vejo que a Psicologia geral e em especial a Psicoterapia mostram que o ser humano deve ser contemplado de forma global e que as características humanas surgem em decorrência de uma complexa interação de múltiplos fatores que vão delineando as vivências e as subjetividades humanas. Dito isso, as experiências humanas (pessoais, social e/ou culturais) são objetos importantes da Psicoterapia que precisam ser avaliados para que os indivíduos tenham condições de contemplar seus problemas e delinear possíveis mudanças de padrões psíquicos ou comportamentais.  


Referências

Andrade, A. & Andrade, A. P. (2009). A importância da psicoterapia. Retirado de http://apapsicologia.blogspot.com/2009/05/importancia-da-psicoterapia.html em 02 de março de 2011.

Araújo, E. T. (2010). A importância da psicologia clínica no tratamento das doenças. Retirado de http://www.folhanit.com.br/753/artigo.htm em 02 de março de 2011.

Hockenbury, D. H. & Hockenbury, S. E. (2003). Descobrindo a psicologia. Barueri: Manole.
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