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quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Para não esquecermos de Skinner...

 
"Você não pode impor felicidade. Você não pode em última instância, impor coisa alguma. Nós não usamos a força! Tudo que precisamos é engenharia comportamental adequada."
Burrhus Frederic Skinner
"A humanidade não se divide em heróis e tiranos. As suas paixões, boas e más, foram-lhe dadas pela sociedade, não pela natureza".
Charles Chaplin

Ao ler a frase acima, me lembrei de um breve texto que escrevi neste blog sobre a interação entre a biologia e os eventos ambientais na construção dos comportamentos.

sábado, 12 de janeiro de 2013

Amor Entre Gatos e Ratos.


"Nada é mais natural do que o amor do gato pelo rato"


É com esta frase que o chinês ZingYang Kuo defendeu a importância do ambiente na formação dos comportamentos dos gatos e, evidentemente, dos humanos.

Por meio de suas pesquisas com gatos, Kuo começou a apontar que a plasticidade do comportamento era dependente das condições do meio ambiente, como também defendia J. B. Watson em 1924. Estas ideias contrapunham as “teorias do instinto” ou as “teorias dos comportamentos inatos” que consideravam boa parte dos comportamentos como rigidamente determinados pelas características inatas das espécies.

 Kuo criou gatos em diferentes condições ambientais, onde também haviam gatos sendo criados com ratos. Embora Kuo tenha observado que os gatinhos criados sozinhos com um rato desde muito pequeninos não só nunca atacaram o seu rato, mas brincavam e eram afetuosos com ele, também teve de considerar que algumas características inatas também se revelavam quando os gatos viam seus pares matando ratos e, por imitação, também caçaram alguns ratos.

Os dados de Kuo evidenciam, mais uma vez na literatura científica, que há uma importante reciprocidade e aproximação entre as determinações ambientais e constituições genético-inatas para a formação dos comportamentos. Neste sentido a ideia da plasticidade comportamental pode ser melhor contemplada.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

A Interação Entre Fatores Biológicos e Ambientais na Vida Humana

É comum, quando falam sobre comportamento humano, perceber certa polêmica quanto à origem e manutenção das ações que as pessoas exercem no mundo. Sempre há  discussão e confusão sobre as questões inatas ou aprendidas dos comportamentos humanos. “Fulano faz o que faz por que nasceu assim? As atitudes de Siclano foram aprendidas com seus pais? Beltrano é violento em decorrência de fatores biológicos ou sociais?”. Na busca de respostas para estas perguntas, a polêmica emerge. Felizmente esta discussão já se tornou retrógrada, pois atualmente os conceitos de inato e/ou adquirido não são mais excludentes.
Do ponto de vista de psicologia (principalmente da Análise do Comportamento) e da ciência atual, as pessoas nascem com um aparato biológico/fisiológico que permite que vários comportamentos sejam possíveis. O desenvolvimento potencial destes comportamentos ocorrerá em acordo com vários fatores, entre eles a estimulação adequada. Como os humanos são muito vulneráveis e desamparados ao nascer, durante toda a sua vida eles necessitarão aprender constantemente uma gama de habilidades que os ajudarão a viver em um mundo que está em contínua transformação. O aprendizado destas habilidades ocorre de forma social. Neste sentido podemos pensar que há uma interação entre os elementos biológicos e culturais; este movimento constante é o que fortalece os comportamentos humanos. Em outras palavras, os fatores sociais (cultura, ambiente, escola, família, religião, economia, etc.) e os biológicos (genética, fisiologia, neurologia, etc.) vão se delineando e interligando em uma complexa rede de eventos e comportamentos e, assim, formarão o complexo sistema psicológico dos indivíduos e dos grupos.
Contudo, podemos afirmar que uma pessoa, por exemplo, é violenta porque nasceu assim ou porque aprendeu a ser assim? Nenhuma das alternativas pode ser uma resposta suficiente e adequada para responder o que determina este e outros comportamentos. Como a vida humana é constituída biologicamente e culturalmente, de forma complexa, não é possível afirmar que um único fator, seja ele biológico ou ambiental, determinará certo comportamento. A ideia é que apenas um fator não tem força suficiente para determinar nenhum comportamento, mas que este fator interagindo com outros diversos fatores é que fortalecerá a ocorrência e manutenção dos comportamentos. 

Sugestão de Leitura
Ciência E Comportamento Humano de B. F. Skinner

segunda-feira, 21 de março de 2011

O que é Autoconhecimento?


A expressão "Autoconhecimento" é acolhida por muitas áreas filosóficas, científicas, religiosas ou místicas. Ter autoconhecimento, nas visões não científicas, é considerar que há processos ou entidades internas que comandam as ações dos humanos.
Para a psicologia comportamental o autoconhecimento é uma expressão comportamental onde a pessoa verbaliza um conhecimento sobre as causas, os controles, os contextos e as consequências do próprio comportamento. Esse conhecimento sobre si mesmo é aprendido com o contexto (comunidade verbal) no qual a pessoa vive.
Muitas pessoas não possuem habilidades "autoconscientes" porque muitas vezes não estão atentas aos eventos ambientais que antecedem seu comportamento, ou às consequências de seus comportamentos que ocorrem no seu cotidiano.
Geralmente as pessoas respondem ao seu ambiente de forma pouco consciente. Se perguntarmos à maioria dos fumantes "Por que você fuma?" eles podem dar as seguintes respostas: "Por que é bom; por que é relaxante; por que eu gosto; por que eu preciso, etc." Esse tipo de resposta demonstra um nível baixo de autoconhecimento (ou um jeito de resumir o assunto!). Para a pergunta sobre fumar, as pessoas "autoconscientes" poderiam responder: "Eu fumo por que aprendi com meus pais que são fumantes; fumo por que acho elegante; fumo por ser muito ansiosa e no momento o cigarro alivia minha ansiedade; fumo por que tenho prazer e mesmo sabendo das consequências devastadoras meu desejo pelo fumo ainda é maior do que pela minha saúde; fumo por todos os motivos acima e ainda considero que o cigarro é um válvula de escape para problemas psicológicos que não quero entrar em contato, etc."
O exercício do autoconhecimento é um processo longo, trabalhoso e muitas vezes doloroso. Como é possível ter autoconhecimento? Buscar entender e relacionar os eventos de sua própria história e de seu contexto atual é um bom exercício. Nesse sentido a Psicoterapia é capaz de contribuir para este processo, já que ter autoconhecimento é fundamental para a construção de novos repertórios comportamentais e para a resolução de problemas.

Sugestões de leitura

Skinner, B. F. (1982). Sobre o behaviorismo. São Paulo: Cultrix.
Skinner, B. F. (1993). Ciência e comportamento humano. São Paulo: Martins Fontes

sábado, 12 de março de 2011

Sindrome de Down: Comprometimento Cognitivo, Aprendizagem e Habilidades Sociais

     Sindrome de Down é o nome que se dá à alteração genética que acomete pessoas numa estimativa de um em cada 600 nascimentos. Essa alteração genética pode vir de 3 formas:
Trissomia 21 padrão: Indivíduo apresenta 47 cromossomos em todas as duas células, tendo no par 21 três cromossomos. Ocorre em aproximadamente 95% dos casos.
Trissomia por translocação: O indivíduo apresenta 46 cromossomos e o cromossomo 21 extra está aderido a um outro par, em geral o 14. Ocorre em aproximadamente 3% dos casos.
Mosaico: O indivíduo aprsenta uma mistura de células normais (46 cromossomos) e células trissômicas (47 cromossomos). Ocorre em aproximadamente 2% dos casos.

     Além de características físicas comuns aos Downs como os olhos amendoados, estatura baixa e pescoço curto, a sindrome de Down tem uma importante influência biológica/genética nos níveis de cognição do indivíduo. Para Bissoto (2005) este comprometimento cognitivo pode ser explicado por alterações que evolvem a hipotonia (redução da força muscular) e alterações sensoriais (visão e audição).

     Há uma concepção de que todas as pessoas com a sindrome de Down apresentam as mesmas limitações orgânicas, motoras e cognitivas, porém o desenvolvimento cognitivo e/ou psicomotor pode variar entre os indivíduos com a sindrome se considerarmos que a alteração genética não é a unica influência no desenvolvimento; é preciso considerar as influências sociais, culturais e educacionais (Bissoto, 2005).
     Essas ideias estão de acordo com as do Behaviorismo Radical e da Análise do Comportamento. O analista do comportamento vai considerar os comportamentos humanos em todos os seus níveis e influências e é isso que contribui para o histórico de aprendizagem dos indivíduos. Uma pessoa com sindrome de Down pode ter um comprometimento cognitivo atestado por fatores biológicos/genéticos que influenciará na sua aprendizagem e habilidades sociais, mas as causas biológicas/genéticas não são tão determinantes assim. Atualmente é divulgado que a estimulação precoce a inclusão de pessoas com sindrome de Down contribuem para sua qualidade de vida e para seu desenvolvimento global.
    O Psicólogo analista do comportamento deve considerar todo o contexto de vida de uma pessoa com a sindrome. A aprendizagem de regras e o desenvolvimento de habilidades sociais podem ocorrer de forma lenta, por isso a estimulação é muito importante. Em Psicoterapia, por exemplo, a aprendizagem pode ocorrer por meio de instrumentos com maior força de estimulação sensorial visando a maior compreensão de regras e limites sociais. Essa estimulação pode acontecer por meio de jogos educativos (recomendo os virtuais) onde deverá ter espaço para aplicar algumas técnicas, como por exemplo: modelação (aprendizagem por meio da observação de comportamentos e suas consequências), reforçamento diferencial de comportamentos verbais e não verbais e ensaio comportamental para habilidades de comunicação.


Sites recomendados
http://www.fsdown.org.br/index.php
http://www.brasilescola.com/doencas/sindrome-de-down.htm

Referências
Bissoto, M. L. (2005). Desenvolvimento cognitivo e o processo de aprendizagem do portador de sindrome de Down: Revendo concepções e perspectivas educacionais. Ciencia & Cognição, 4, 80-88.

segunda-feira, 7 de março de 2011

A Importância da Psicologia Clínica



A Psicologia é uma área do conhecimento humano que há algumas décadas vem sendo utilizada como instrumento para a promoção de saúde global. As pesquisas, as teorias e as aplicações sobre conhecimentos filosóficos e científicos deram um colorido especial à atuação do Psicólogo Clínico e tornaram relevante a existência da Psicoterapia.
A Psicoterapia diz respeito ao uso de técnicas psicológicas elaboradas que incentivam o entendimento e a mudança dos problemas emocionais, comportamentais e interpessoais (Hockenbury & Hockenbury; 2003). Em outras palavras, a Psicoterapia é um processo no qual o indivíduo encontrará meios para compreender suas dinâmicas internas, adquirir autoconhecimento, aprender resolver conflitos e aprimorar seus contatos afetivos. Além disso, o processo Psicoterapêutico pode levar o indivíduo a encontrar saúde física e mental.
O Psicólogo Eduardo Trindade de Araújo (2010) em entrevista à Folha de Niterói pontuou que a Psicoterapia ajuda o cliente a readquirir o controle de suas emoções, o que possibilita melhores resultados no tratamento de várias doenças. O Psicólogo ainda afirma que o desequilíbrio emocional dos indivíduos pode facilitar o aparecimento de doenças ou mesmo agravar os sintomas já existentes.
Para a Psicóloga Andréa Andrade (2009) a Psicoterapia ocupa hoje um lugar fundamental na área da saúde e pode cumprir também uma função de educação para a vida, oferecendo um espaço para reflexão, com instrumentos e conhecimentos que podem ajudar na orientação e condução da vida das pessoas.
Como Analista do Comportamento vejo que a Psicologia geral e em especial a Psicoterapia mostram que o ser humano deve ser contemplado de forma global e que as características humanas surgem em decorrência de uma complexa interação de múltiplos fatores que vão delineando as vivências e as subjetividades humanas. Dito isso, as experiências humanas (pessoais, social e/ou culturais) são objetos importantes da Psicoterapia que precisam ser avaliados para que os indivíduos tenham condições de contemplar seus problemas e delinear possíveis mudanças de padrões psíquicos ou comportamentais.  


Referências

Andrade, A. & Andrade, A. P. (2009). A importância da psicoterapia. Retirado de http://apapsicologia.blogspot.com/2009/05/importancia-da-psicoterapia.html em 02 de março de 2011.

Araújo, E. T. (2010). A importância da psicologia clínica no tratamento das doenças. Retirado de http://www.folhanit.com.br/753/artigo.htm em 02 de março de 2011.

Hockenbury, D. H. & Hockenbury, S. E. (2003). Descobrindo a psicologia. Barueri: Manole.
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