Mostrando postagens com marcador Skinner. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Skinner. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

Reforço?

Skinner uma vez disse: "Prazeroso parece ser a palavra do cotidiano que é mais próxima a reforçador, mas ela cobre apenas metade do efeito".

Publico esta frase para lembrá-los de que reforçador não é apenas o que é avaliado como BOM e que ser UMA COISA BOA não é suficiente para entendermos o que é um evento reforçador. Também é preciso considerar aspectos MANTENEDORES e FORTALECEDORES dos eventos reforçadores.

#FicaADica

domingo, 22 de fevereiro de 2015

Comportamento Verbal - Variáveis Múltiplas* {Parte 3 de 5}


Após apresentar sua proposta de análise funcional do comportamento verbal, bem como apontar as variáveis de controle que operam nos episódios verbais, Skinner (1957) discute as variáveis múltiplas que afetam, de forma entrelaçada, as respostas verbais. Para tanto, os apontamentos de Skinner em relação às variáveis múltiplas serão apresentados a seguir. 


Após discutir as relações funcionais do comportamento verbal, Skinner (1957) revelou que uma única resposta (verbal ou não verbal) pode ser, e usualmente é, função de mais de uma variável e que uma única variável costuma afetar mais de uma resposta. Neste sentido, a resposta verbal “Cobra!” pode ser um mando para alguém ter cuidado, pode ser um tacto para sinalizar uma cobra no ambiente ou ainda pode ser uma resposta ecóica, textual ou intraverbal. Além disso, diferentes contextos e pessoas poderão reforçar diferencialmente a resposta verbal “Cobra!”, ou seja, a força de uma resposta verbal será múlti determinada pela combinação da comunidade verbal com outras variáveis de controle.
Para Skinner (1957), é claro que qualquer amostra do comportamento verbal é controlada e relaciona-se funcionalmente com muitas variáveis que operam ao mesmo tempo, pois qualquer resposta sob o controle de uma variável tem uma boa probabilidade de estar relacionada com outras variáveis também presentes. Isto significa que, se quisermos discutir sobre comportamento verbal ou analisá-lo de forma funcional, precisamos ter certeza de que levamos em conta todas as variáveis relevantes que compõem o fenômeno verbal.
Um tipo especial de causação múltipla diz respeito às audiências múltiplas que são aquelas variáveis múltiplas que controlam respostas diferentes ou a mesma resposta de diferentes maneiras. Assim, uma resposta verbal pode ser reforçada por uma audiência e punida por outra, ou ainda, a mesma resposta pode ser reforçada e punida pela mesma audiência dependendo do contexto e de outras variáveis envolvidas. Além disso, o autor aponta que a presença de uma audiência negativa só pode ser detectada se uma audiência positiva já tiver estabelecido seu efeito sobre uma determinada resposta verbal. Uma resposta verbal que foi reforçada e fortalecida pode perder sua força caso uma audiência negativa esteja em operação, como por exemplo: uma criança que fala obscenidades na presença de outras crianças pode ter suas respostas verbais reforçadas e mantidas por esta pequena comunidade, mas ao emitir as mesmas respostas obscenas na presença de um adulto pode ter seu comportamento verbal punido. Em outro caso, se o auditório negativo não for predominante, o resultado pode ser uma perda da eficácia diante de auditório positivo. É importante ressaltar que algumas respostas verbais podem nunca terem sido reforçadas, pois em sua primeira emissão houve uma supressão de sua força por conta da intensidade punitiva de alguma audiência.


Ao discutir sobre a causação múltipla, Skinner (1957) mostra que alguns operantes verbais também podem se combinar, como é o caso dos tactos múltiplos e os intraverbais. A combinação momentânea de dois tactos, de dois intraverbais ou de um tacto e de um intraverbal pode forçar a seleção de uma determinada resposta. Uma pessoa pode tatear uma condição psicoterapêutica se estiver sob controle da figura do psicólogo e do consultório da terapia; ou pode estar sendo controlada por dois intraverbais, “psico” e “terapia”; ou pode ainda estar sobre controle intraverbal da palavra “terapia” e na presença de um psicólogo diz que está em psicoterapia.

Outra forma de controle por variáveis múltiplas diz respeito à estimulação suplementar. Considerando o fato de que as contingências são complexas, nem sempre a resposta verbal será afetada por todos os seus antecedentes e consequentes, ou seja, por suas múltiplas causas. Propriedades específicas da condição estimuladora podem controlar com maior ou menor força a resposta verbal. Neste sentido, a estimulação suplementar pode contribuir para o aumento da probabilidade de ocorrência de respostas já existentes no repertório do indivíduo. Em outras palavras, a estimulação suplementar pode servir como estimulo para a ocorrência de uma resposta que esteja sob controle fraco. É por meio de tal estimulação que, normalmente, o falante induz o ouvinte a dizer algo que, de outra forma, ele não diria.

Há alguns fatores que contribuem para a estimulação suplementar, a contar: as deixas formais e temáticas e também as investigações formais e temáticas. Nas deixas formais, um indivíduo pode apresentar uma sugestão ecóica para outro que esteja em uma verbalização com controle intraverbal, ou o mesmo indivíduo pode recorrer a uma sugestão textual de suas próprias anotações. A conexão intraverbal pode ser fraca, assim outra pessoa pode emitir uma resposta verbal ecóica, dizendo uma palavra, para que o falante consiga re-conectar os estímulos presentes do controle intraverbal, ou alguma anotação pode funcionar como deixa com esta mesma função de re-conectar os elementos intraverbais.  Em geral, frases incompletas de um falante inclinam o ouvinte a emitir qualquer resposta verbal que venha a completar o que o falante poderia dizer.

No caso das deixas temáticas, uma sugestão para uma resposta verbal aparece sob a forma de um tacto ou de uma resposta intraverbal. Estes tipos de deixas são conhecidos como “palpites”. Assim, enquanto uma sugestão formal seria uma palavra sussurrada ou rabiscada num papel, uma deixa temática consistiria em estímulos verbais, comumente evocado em relação ao contexto presente do falante e do ouvinte que são inicialmente emitidos como respostas intraverbais.

Nas investigações formais, que também podem se analisadas pelos estímulos ecóicos ou textuais, outras variáveis podem operar de forma mais eficaz como fontes suplementares de força. Uma vez que exista fraqueza do estímulo ecóico ou textual devemos sondar outros estímulos que poderiam estar emparelhados com a resposta verbal a ser emitida. Assim, podemos produzir um comportamento verbal por meio de qualquer variável que reforce o comportamento, independentemente da forma, ou por meio de qualquer variável combinada com variáveis puramente formais. Já nas investigações temáticas, uma pessoa pode emitir um mando que sinalize que algo precisa ser dito, ou seja, um indivíduo pede que outro emita uma resposta verbal que esteja sob controle de estimulação intraverbal. Em geral testes projetivos e de percepção usam este recurso.

Após discutir sobre a estimulação suplementar e apresentar diversas formas para se fortalecer uma resposta verbal, Skinner (1957) aponta que um indivíduo pode emitir verbalizações cujas respostas verbais serão fragmentárias e continua atribuindo a este fenômeno a causação múltipla. Em outras palavras, a combinação ou o emaranhado de duas ou mais variáveis, de operantes com a mesma força, de audiências com controle fraco, ou até mesmo de unidades mínimas, produzem respostas verbais e estas respostas podem aparecer de formas fragmentadas. Neste sentido, podem ocorrer respostas verbais distorcidas ou sem sentido.
Para Skinner (1957), respostas pobremente condicionadas são mais propícias à fragmentação. As recombinações dos fragmentos de respostas são mais frequentes no comportamento das crianças pequenas, bem como no dos adultos que estão aprendendo uma nova língua. Até mesmo um repertório bem estabelecido pode sofrer recombinação em condições de fadiga, de doença ou por efeito de certas drogas. Estimulação aversiva também tende a produzir esse tipo de distorção.

Mesmo que as combinações possam ser estudadas como meras formas de respostas, separadamente das variáveis ou controle, é importante notar que duas respostas tendem a ser fortes ao mesmo tempo caso ambas sejam funções da mesma variável. Muitas destas combinações resultam de misturas de dois ou mais tactos sob o controle do mesmo estímulo. Até mesmo os estímulos ecóicos e textuais podem contribuir com fragmentos se ocorrerem condições apropriadas. Além disso, como já foi dito pelo autor, muitas combinações mostram a interação de tactos e de intraverbais, ou de dois ou mais intraverbais.

Considerações finais

O fenômeno verbal pode ser explicado didaticamente por meio da definição de cada operante verbal que controla os episódios verbais, mas é imprescindível atribuir a este fenômeno a causação múltipla, bem como o papel crítico das contingências culturais. A múlti determinação do comportamento é um princípio importante da aprendizagem e não seria diferente para o comportamento verbal, a causação múltipla contribui para o entendimento do processo pelo qual os indivíduos falam, escrevem, lêem e se expressam, porque estão em constante interação com sua comunidade verbal, ou seja, estão suscetíveis às interações culturais. Além disso, é importante ressaltar que, uma única variável, ou uma única condição operante, ou até mesmo o fato dos humanos terem condições fisiológicas para verbalizarem e se expressam, não torna suficiente a explicação do fenômeno verbal.

 Referências
Skinner, B. F. (1957). Verbal Behavior. Cambridge, Massachusetts: B. F. Skinner Foudation.

* Texto desenvolvido a partir do aprendizado na disciplina Comportamento Verbal do Programa de Pós-Graduação em Ciências do Comportamento da UNB.






sexta-feira, 4 de julho de 2014

Comportamento Verbal - Um Programa* {Parte 1 de 5}

         
       Skinner (1957) propôs em seu livro Verbal Behavior uma análise inovadora dos fenômenos verbais, diferente das análises propostas pela Psicologia tradicional e Linguística. O objetivo principal do autor é demonstrar que comportamentos como o falar, escrever, pensar, e todas as formas de verbalização são determinados por variáveis que compõe o contexto dos indivíduos e por isso podem ser analisados funcionalmente e não só topograficamente. Para o autor, é preciso encarar a comunicação humana como um comportamento social e não como um evento metafísico, pois o comportamento verbal trata-se de pessoas se comportando dentro de uma comunidade verbal e não de estruturas linguísticas, psíquicas ou mentais. Ele também explica que não usa do termo "fala" para não restringir o fenômeno a comportamentos vocais e não desconsiderar o pensar, o escrever, o ler, etc.
No que se refere ao comportamento vocal, Skinner (1957) mostra que o comportamento verbal vocal é executado por uma complexa musculatura decorrente de um aparato biológico, selecionado ao longo da evolução e característico da espécie humana. O autor aponta que este tipo de comportamento pode ser medido por meio de registros acústicos ou mecânicos, mas ressalta que as complexas respostas musculares do comportamento vocal afetam o meio verbal pela produção da "fala" audível e que não precisamos conhecer todos os detalhes de uma resposta vocal desde que o padrão sonoro que ela produz obtenha certo efeito sobre uma comunidade verbal específica.
Skinner (1957) aponta que o comportamento verbal é usualmente o efeito de múltiplas causas e suas consequências são mediadas por outras pessoas, um ouvinte especialmente treinado pela mesma comunidade verbal do falante. Em outras palavras, o comportamento verbal é definido como um comportamento cujos efeitos sobre o mundo só são possíveis pela mediação de outras pessoas. O autor ainda demonstra que o comportamento verbal é um operante verbal, ou seja, está sob controle de estímulos antecedentes e é suscetível a reforçadores. Um operante verbal precisa ser analisado de forma funcional, apontando os estímulos ambientais que antecedem o comportamento verbal e demonstrando que suas consequências, reforçadoras ou punitivas, serão mediadas pelo ouvinte. Pode-se dizer que, diferente de outros comportamentos operantes, o operante verbal é regulado por práticas culturais.
Segundo Skinner (1957) o ouvinte responde aos estímulos verbais produzidos pelo falante. O indivíduo é falante ao comportar-se verbalmente perante o outro e torna-se um ouvinte ao comportar-se funcionalmente em relação a estímulos verbais produzidos por outros indivíduos ou por si mesmo. O comportamento do falante e do ouvinte, em interação, compõe aquilo que se chama de episódio verbal total.
Um exemplo de análise funcional de um episódio verbal segue abaixo:
Em um episódio de compra uma pessoa (falante) está diante de um produto sem preço e pergunta a outra pessoa (ouvinte): “Quanto custa?”. O ouvinte responde: “R$20,00”. Observa-se que para resolver um problema o falante recorre a um ouvinte; o comportamento do falante de perguntar o preço do produto é reforçado pelo ouvinte quando este lhe diz o preço. Saber, por meio de outra pessoa, o preço de um produto que antes não se sabia é a consequência mediada que o comportamento do falante produziu. Por meio da análise funcional deste episódio verbal, podemos inferir que o falante perguntou o preço do produto para outra pessoa porque provavelmente teve o mesmo tipo de comportamento reforçado anteriormente em contextos parecidos.
Neste programa, Skinner (1957) também trata das variáveis independentes que devem ser manipuladas e que ajudam a compreender o comportamento verbal, as principais são: condicionamento e extinção, controle de estímulos, motivação e emoção e controle aversivo. O autor insiste que entendamos que o comportamento verbal é um conjunto de variáveis determinadas pelo contexto de sua emissão. E que a análise deste fenômeno deve ser funcionalista e contextualista, mesmo que seja mais difícil do que simplesmente entendê-lo de forma metafísica e mentalista. O autor aponta, ainda, que os comportamentos verbais dependem fortemente de fatores motivacionais (operações estabelecedoras) e que os episódios verbais pressupõem a existência de audiência, o que implica no fato de que todo comportamento verbal é social.
Considerações Finais
O papel da causação múltipla e da consequência mediada na análise do comportamento verbal é ao mesmo tempo rico e complexo. Este tipo de análise é fundamental para a explicação do comportamento verbal, que não pode ser definido apenas por suas consequências, o contexto também deve ser levado em consideração.
A proposta Skinneriana da análise funcional do operante verbal é fundamental para a compreensão dos fenômenos sociais, principalmente porque este tipo de comportamento é extremamente frequente no cotidiano das pessoas. Para a prática da Psicologia, a análise funcional dos episódios verbais torna-se instrumento fundamental para o entendimento de fenômenos que envolvem: a construção alguns padrões comportamentais (como os de gênero), as manifestações artísticas (como teatro e literatura), a prática psicológica (como na clínica), etc. A proposta de Skinner permite que o comportamento verbal seja estudado de forma interdisciplinar, pois as múltiplas variáveis de controle podem ser fragmentadas e explicadas por diversas áreas do conhecimento humano.

Referência
Skinner, B. F. (1957). Verbal Behavior. Cambridge, Massachusetts: B. F. Skinner Foudation.

*Texto desenvolvido a partir do aprendizado na disciplina Comportamento Verbal do Programa de Pós-Graduação em Ciências do Comportamento da UNB.

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

"É sempre um indivíduo que se comporta, e ele se comporta com o mesmo corpo e de acordo com os mesmos processos como em uma situação não social. [...] O comportamento individual explica o fenômeno de grupo." (Skinner, 1953).

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Para não esquecermos de Skinner...

 
"Você não pode impor felicidade. Você não pode em última instância, impor coisa alguma. Nós não usamos a força! Tudo que precisamos é engenharia comportamental adequada."
Burrhus Frederic Skinner

domingo, 13 de janeiro de 2013

B. F. Skinner (1904-1990)
"O objetivo do Behaviorismo é eliminar todo tipo de coerção, transformando o ambiente e ajustando o que nos controla."

terça-feira, 1 de maio de 2012

"O importante sobre uma cultura assim definida é que ela evolui. Uma prática surge como uma mutação;
afeta as probabilidades de o grupo vir a solucionar seus problemas;
e, se o grupo sobreviver, a prática sobreviverá com ele."
B. F. Skinner

domingo, 27 de novembro de 2011

"A singularidade do indivíduo é incontestável na visão científica." (Skinner, 1959)

Burrhus Frederic Skinner uma vez disse:

“Aquilo que uma pessoa sente é tão importante quanto o que ela faz”.


Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...