"É sempre um indivíduo que se comporta, e ele se comporta com o mesmo corpo e de acordo com os mesmos processos como em uma situação não social. [...] O comportamento individual explica o fenômeno de grupo." (Skinner, 1953).
Há uma importante relação entre os eventos ambientais e as ações do organismo.
quinta-feira, 16 de janeiro de 2014
quarta-feira, 30 de outubro de 2013
Para não esquecermos de Skinner...
"A humanidade não se divide em heróis e tiranos. As suas paixões, boas e más, foram-lhe dadas pela sociedade, não pela natureza".
Charles Chaplin
Ao ler a frase acima, me lembrei de um breve texto que escrevi neste blog sobre a interação entre a biologia e os eventos ambientais na construção dos comportamentos.
Aos que interessarem, acessem: A Interação Entre Fatores Biológicos e Ambientais na Vida Humana
domingo, 27 de outubro de 2013
God Bless America: Uma Análise Comportamental da Civilidade
God Bless America é um longa-metragem de 2011 que conta a
história de Frank Murdoch que se vê envolto a atual sociedade americana repleta
de apoio às guerras, políticas conservadoras, programas de entretenimento de
massas e com pessoas naufragadas em uma pseudo liberdade. Para Frank, estes não
são os únicos elementos coercitivos de sua vida particular, pois ele conta com
outra série de dificuldades: perdeu o emprego que tinha há 11 anos por acusação
de assédio sexual, está divorciado, tem uma filha materialista que o odeia e
descobriu ter um tumor no cérebro. Dadas estas contingências, Frank decide se
matar, mas antes comete o assassinato de uma adolescente injusta e mal criada.
Após o assassinato o protagonista se envolve com uma garota chamada Roxy, que
compartilha dos mesmos sentimentos e interesses de Frank.
Decidido a não se
matar, Frank, aliado a Roxy, viaja pelos EUA fazendo justiça para os
injustiçados. God Bless America é um filme cheio de humor negro e com
uma importante crítica aos fenômenos atuais de nossa sociedade. As personagens,
por meio de suas ações, se tornam divindades para aqueles que concordam e
compartilham a ideia de que viver é estar em contato constante com a falta de
civilidade dos outros e que a morte é uma alternativa para lidar com este
evento da vida.
Partindo
da ilustração do filme, podemos refletir sobre o que vem a ser, de fato,
civilidade. Conceitualmente, civilidade significa cortesia e boas maneiras em
sociedade. Mas do ponto de vista da psicologia, civilidade pode significar
respeito, tolerância, compreensão, sabedoria, etc. E neste possível sentido, as
pessoas de fato não vivem em um mundo civilizado, pois se assim vivessem,
poderiam se sentir livres e respeitadas no mesmo grau. Por que eu acho que isso
não acontece? Porque entendo que ter civilidade é ter uma capacidade
comportamental que vai além de boas habilidades sociais de "por
favor", "obrigado", "Eu não concordo, mas te
respeito". Com meu humilde conhecimento, entendo que ser dotado de
civilidade é ser um indivíduo autoconsciente, capaz de solucionar problemas com
respeito, capaz de avaliar as imposições culturais e capaz de perceber os danos
que causa ao reproduzir uma prática cultural coercitiva.
Se
analisarmos o fenômeno da civilidade do ponto de vista da análise do
comportamento podemos levantar uma importante variável que colabora para a
manutenção da falta de civilidade que encontramos na sociedade: A prática
coercitiva - ao longo da história da humanidade as práticas coercitivas
(violências, imposições, ameaças, etc) são aprovadas pela cultura, pois se sabe
que uma ação coercitiva tem efeito imediato sobre as pessoas, que buscam se
comportar em acordo com o que se esperam delas para que assim não sofram a
coerção já sofrida ou a prometida. Em outras palavras, as práticas coercitivas
podem ser entendidas como o uso de contingências de reforço negativo e de
punição para controlar as pessoas¹.
Esta
variável pode ser bem percebida no filme God
Bless America que critica as imposições sociais de estilo de vida,
convicções políticas e religiosas e o uso da humilhação e ridicularização para
entreter as pessoas. As personagens, por sua vez, também agem de forma
coercitiva quando decidem assassinar aqueles que por seus comportamentos
danosos à sociedade "merecem morrer".
A
alternativa extremista das personagens me fez pensar sobre o que de fato
poderia resolver a falta de civilidade das pessoas, bem como a coerção
praticada e reproduzida em nossa sociedade. A única coisa que consigo pensar
(até o momento) é em educação, mas não no modelo atual, que também é punitivo
sobre vários aspectos. Uma prática educativa deve ser capaz de produzir
comportamentos que, como já foi dito, ultrapassem as margens das boas maneiras.
É preciso ensinar às pessoas a importância do autoconhecimento, da autocrítica
e da autopercepção. Na minha humilde opinião, estas habilidades são
transformadoras e podem ser adquiridas por vários meios; a psicoterapia é uma
deles.
Entendo
que civilidade, no sentido aqui empregado, não se aprende de forma rápida e nem
pode ser ensinada às pessoas da mesma forma, mas é preciso tentar, mesmo que de
forma individual. Buscar conhecimentos para ser melhor civilizado é um ótimo
recurso, compartilhar estes conhecimentos é muito nobre, é ter também
civilidade.
Para
terminar gostaria de lembrar que existem algumas regras importantes de serem
seguidas e uma muito valiosa é ilustrada no filme quando Frank diz: “Obrigado
por não conversar durante o filme. Obrigado por desligar o celular”.
1
- Ler Murray Sidman (1989/1995) Coerção e suas implicações.
domingo, 13 de janeiro de 2013
sábado, 12 de janeiro de 2013
Amor Entre Gatos e Ratos.
"Nada é mais natural do que o amor do gato
pelo rato"
É com esta frase que o chinês ZingYang Kuo
defendeu a importância do ambiente na formação dos comportamentos dos gatos e,
evidentemente, dos humanos.
Por meio de suas pesquisas com gatos, Kuo começou
a apontar que a plasticidade do comportamento era dependente das condições do
meio ambiente, como também defendia J. B. Watson em 1924. Estas ideias
contrapunham as “teorias do instinto” ou as “teorias dos comportamentos inatos”
que consideravam boa parte dos comportamentos como rigidamente determinados pelas
características inatas das espécies.
Kuo criou gatos em diferentes condições
ambientais, onde também haviam gatos sendo criados com ratos. Embora Kuo tenha observado
que os gatinhos criados sozinhos com um rato desde muito pequeninos não só
nunca atacaram o seu rato, mas brincavam e eram afetuosos com ele, também teve
de considerar que algumas características inatas também se revelavam quando os
gatos viam seus pares matando ratos e, por imitação, também caçaram alguns
ratos.
Os dados de Kuo evidenciam, mais uma vez na
literatura científica, que há uma importante reciprocidade e aproximação entre
as determinações ambientais e constituições genético-inatas para a formação dos
comportamentos. Neste sentido a ideia da plasticidade comportamental pode ser
melhor contemplada.
domingo, 21 de outubro de 2012
A Escutatória de Rubem Alves
"Não é bastante ter ouvidos para ouvir o que é dito. É preciso também que haja silêncio dentro da alma. Daí a dificuldade: A gente não aguenta ouvir o que o outro diz sem logo dar um palpite melhor... Sem misturar o que ele diz com aquilo que a gente tem a dizer. Como se aquilo que ele diz não fosse digno de descansada consideração... E precisasse ser complementado por aquilo que a gente tem a dizer, que é muito melhor. Nossa incapacidade de ouvir é a manifestação mais constante e sutil de nossa arrogância e vaidade. No fundo, somos os mais bonitos..."
Texto completo: http://www.baraoemfoco.com.br/barao/cultura/noticias/escutatoria.htm
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