Burrhus Frederic Skinner uma vez disse:
“Aquilo que uma pessoa sente é tão importante quanto o que ela faz”.
Há uma importante relação entre os eventos ambientais e as ações do organismo.
É importante considerar que em uma sociedade organizada e educada para ser heterossexual é comum que mitos e estranhamentos surjam quando indivíduos apresentam comportamentos e práticas diferentes das “programadas” culturalmente. Porém, é interessante observar, neste caso, que o estranhamento, em geral, não produz reflexão e sim discriminação. A discriminação, homofobia, ou qualquer nome que se queira dar ao ato coercitivo em relação à diversidade sexual e de gênero tornou-se uma prática social na qual a coerção sobre o “diferente”, no caso o público LGBT, é passada de um indivíduo para o outro por meio da educação e imitação (Pedrosa, 2006). Pode-se refletir que o preconceito e a discriminação contra o público LGBT desenvolvem-se com o aprendizado de valores, normas, regras, crenças, etc. Por essas razões é que profissionais da psicologia precisam compreender os fenômenos que envolvem a diversidade sexual para assim articularem formas de acolhimento e intervenção.
Além das orientações do Conselho Federal de Psicologia, o que mais pode contribuir para a compreensão e “aceitação” da diversidade sexual por parte dos psicólogos? É preciso relembrar que o papel principal da psicologia é o de promoção de saúde biopsicossocial; e como tal precisa estar em consonância com aspectos sociais que envolvem a promoção da cidadania e dos direitos humanos. Ressaltam-se os principais direitos humanos relevantes para esta atual reflexão: “ser tratado com respeito e dignidade”, “expressar os próprios sentimentos”, “fazer qualquer coisa, desde que não viole os direitos de outra pessoa” e “ter direito e defendê-los”. Ao zelar pelos direitos humanos universais, os psicólogos também estão “aceitando” a diversidade sexual e zelando pela qualidade de vida dos indivíduos que acolhem na sua prática profissional.
O trauma diz respeito a um tipo de dano psicológico provocado por eventos aversivos. Em outras palavras, um trauma pode acontecer em decorrência de situações em que estão presentes elementos (estímulos) estressores, coercitivos e/ou ameaçadores para a pessoa.
Dependendo da intensidade da situação aversiva, seus subprodutos (medo, ansiedade, culpa, esquiva, fuga, pânico, etc.) podem continuar afetando o organismo mesmo não estando presente no momento atual de vida da pessoa. Isso acontece por que a lembrança, o relato, ou qualquer outro comportamento que “evoque” a situação estressora, sinaliza o reaparecimento dos elementos que compõe o evento aversivo e suas consequências danosas. Relembrar e relatar eventos traumáticos também podem produzir angustia, ansiedade, medo e desconforto geral na pessoa; a esquiva de relembrar e relatar contribui para que a pessoa não sinta o mesmo desconforto da situação traumática original fazendo com que o indivíduo não se sinta ameaçado e que se sinta “confortável”. Sendo assim, é possível compreender alguns motivos pelos quais as pessoas evitam relembrar e relatar um evento traumático em psicoterapia; e esse comportamento de evitar contato (relembrando e relatando) com a situação aversiva prejudica o processo terapêutico quando a queixa principal está relacionada ao trauma.
Considerando que esse processo pode gerar sofrimento para os clientes é preciso investir na relação terapêutica para que o cliente se sinta seguro em falar sobre os elementos aversivos de sua história e, além disso, é importante que o psicoterapeuta busque bloquear os comportamentos de esquiva para que o cliente entre em contato com sua história e seus danos. Tanto o vínculo terapêutico quanto o bloqueio da esquiva contribuem com o enfraquecimento de padrões comportamentais que envolvem o “esquivar-se” de lembranças e relatos dos eventos aversivos.
Em geral, as pessoas usam o termo "luto" para se referirem aos comportamentos apresentados por uma pessoa que perdeu alguém querido por meio da morte. Mas se considerarmos nossos sentimentos de profunda tristeza quando perdemos algo, seja um objeto, um animal de estimação, rompimento em uma relação, etc, então o termo "luto" também cabe nessas situações diversas.
A intervenção psicoterapêutica, além de ajudar como uma forma de contato social, pode contribuir com técnicas de relaxamento para aliviar a ansiedade, propor novos questionamentos sobre o significado e a superação da perda, propor uma nova avaliação e aprendizagem de que as perdas são inevitáveis e podem trazer novos ganhos.