"A singularidade do indivíduo é incontestável na visão científica." (Skinner, 1959)
Há uma importante relação entre os eventos ambientais e as ações do organismo.
domingo, 27 de novembro de 2011
quinta-feira, 13 de outubro de 2011
domingo, 21 de agosto de 2011
Diversidade Sexual e Psicologia
As várias formas de expressão afetiva e sexual, assim como as expressões de gênero, dizem respeito às questões que envolvem a Diversidade Sexual. Este tema vem ganhando cada vez mais espaço na mídia e os grupos que compõem o “leque” da diversidade sexual têm conquistado espaços sociais importantes. Mas ainda existem muitos tabus e preconceitos sobre o que é “aceitar a diversidade” e, principalmente, sobre qual é o papel dos psicólogos neste fenômeno.
É importante considerar que em uma sociedade organizada e educada para ser heterossexual é comum que mitos e estranhamentos surjam quando indivíduos apresentam comportamentos e práticas diferentes das “programadas” culturalmente. Porém, é interessante observar, neste caso, que o estranhamento, em geral, não produz reflexão e sim discriminação. A discriminação, homofobia, ou qualquer nome que se queira dar ao ato coercitivo em relação à diversidade sexual e de gênero tornou-se uma prática social na qual a coerção sobre o “diferente”, no caso o público LGBT, é passada de um indivíduo para o outro por meio da educação e imitação (Pedrosa, 2006). Pode-se refletir que o preconceito e a discriminação contra o público LGBT desenvolvem-se com o aprendizado de valores, normas, regras, crenças, etc. Por essas razões é que profissionais da psicologia precisam compreender os fenômenos que envolvem a diversidade sexual para assim articularem formas de acolhimento e intervenção.O Conselho Federal de Psicologia (1999), por meio da resolução 001/99 ajuda os psicólogos a compreender este tema apontando que a homossexualidade não constitui doença, distúrbio e nem perversão. Esta discussão está em consonância com a Organização Mundial de Saúde (OMS) que deixou de colocar a homossexualidade no rol de doença em 1991 (Pedrosa, 2006). E o Art. 2º da resolução 001/99 do CFP, resolve que “os psicólogos deverão contribuir, com seu conhecimento, para uma reflexão sobre o preconceito e o desaparecimento de discriminações e estigmatizações contra aqueles que apresentam comportamentos ou práticas homoeróticas”. É interessante notar que estes órgão da saúde preocupam-se em não associar a orientação homossexual à aspectos patológicos.
Além das orientações do Conselho Federal de Psicologia, o que mais pode contribuir para a compreensão e “aceitação” da diversidade sexual por parte dos psicólogos? É preciso relembrar que o papel principal da psicologia é o de promoção de saúde biopsicossocial; e como tal precisa estar em consonância com aspectos sociais que envolvem a promoção da cidadania e dos direitos humanos. Ressaltam-se os principais direitos humanos relevantes para esta atual reflexão: “ser tratado com respeito e dignidade”, “expressar os próprios sentimentos”, “fazer qualquer coisa, desde que não viole os direitos de outra pessoa” e “ter direito e defendê-los”. Ao zelar pelos direitos humanos universais, os psicólogos também estão “aceitando” a diversidade sexual e zelando pela qualidade de vida dos indivíduos que acolhem na sua prática profissional.Referências Bibliográficas
Conselho Federal de Psicologia (1999). Resolução nº. 001/99. Estabelece normas de atuação para psicólogos em relação à questão da orientação sexual. Brasília, DF.
Pedrosa, J. B. (2006). Segundo desejo. São Paulo: Iglu.
quinta-feira, 7 de julho de 2011
Relembrando e Relatando Traumas em Psicoterapia
O trauma diz respeito a um tipo de dano psicológico provocado por eventos aversivos. Em outras palavras, um trauma pode acontecer em decorrência de situações em que estão presentes elementos (estímulos) estressores, coercitivos e/ou ameaçadores para a pessoa.
Dependendo da intensidade da situação aversiva, seus subprodutos (medo, ansiedade, culpa, esquiva, fuga, pânico, etc.) podem continuar afetando o organismo mesmo não estando presente no momento atual de vida da pessoa. Isso acontece por que a lembrança, o relato, ou qualquer outro comportamento que “evoque” a situação estressora, sinaliza o reaparecimento dos elementos que compõe o evento aversivo e suas consequências danosas. Relembrar e relatar eventos traumáticos também podem produzir angustia, ansiedade, medo e desconforto geral na pessoa; a esquiva de relembrar e relatar contribui para que a pessoa não sinta o mesmo desconforto da situação traumática original fazendo com que o indivíduo não se sinta ameaçado e que se sinta “confortável”. Sendo assim, é possível compreender alguns motivos pelos quais as pessoas evitam relembrar e relatar um evento traumático em psicoterapia; e esse comportamento de evitar contato (relembrando e relatando) com a situação aversiva prejudica o processo terapêutico quando a queixa principal está relacionada ao trauma. Como o objetivo central da psicoterapia é contribuir para a resolução das queixas dos clientes, é preciso que os clientes relembrem e relatem sobre eventos de sua história que podem ter contribuído para a manutenção de seus comportamentos (pensamentos, sentimentos, ações, etc.) atuais.
Considerando que esse processo pode gerar sofrimento para os clientes é preciso investir na relação terapêutica para que o cliente se sinta seguro em falar sobre os elementos aversivos de sua história e, além disso, é importante que o psicoterapeuta busque bloquear os comportamentos de esquiva para que o cliente entre em contato com sua história e seus danos. Tanto o vínculo terapêutico quanto o bloqueio da esquiva contribuem com o enfraquecimento de padrões comportamentais que envolvem o “esquivar-se” de lembranças e relatos dos eventos aversivos. Entrar em contato com estímulos aversivos em psicoterapia produz não só sentimentos “negativos”, mas também ajuda o cliente a reduzir os efeitos da situação aversiva por meio da aprendizagem de novas alternativas para lidar com seus traumas (Kohlenberg e Tsai, 1991/2001).
Compreendendo alguns termos
Esquiva: Comportamento em que o organismo evita entrar em contato que estímulos que lhe foram danosos no passado.
Eventos Aversivos: Algo que gera incômodo, dor física e emocional, constrangimento, etc.
Os eventos aversivos podem gerar ansiedade, medo, desprazer, fuga e esquiva, além disso, podem contribuir para a aprendizagem de comportamentos agressivos.Padrões Comportamentais: Formas em que o organismo apresenta uma maneira de se comportar que sempre se repete em situações semelhantes.
Sugestão de leitura
Kohlenberg, R. J. & Tsai, M. (1991/2001). Psicoterapia analítica funcional: Criando relações terapêuticas intensas e curativas (F. Conte, M. Delitti, M. Z. da S. Brandão, P. R. Derdyk, R. R. Kerbauy, R. C. Wielenska, R. A. Banaco, R. Starling, trads.). Santo André: ESETec.
quarta-feira, 1 de junho de 2011
Psicoterapia e Cura
Já tem um tempinho que eu gostaria de escrever sobre "a cura" em psicoterapia. E para não escrever algo extenso e muito polêmico, optei em expor um pequeno trecho do livro Cartas a um Jovem Terapeuta.
"Qualquer cura tem duas faces: uma, digamos assim, demolidora, que desfaz as certezas cristalizadas da história que nos acua em sintomas que, à vista de nosso passado, parecem inelutáveis, e outra, construtiva, que nos permite reinventar ou modificar um pouco a história da qual seríamos o fruto".
Calligaris, C. Cartas a um jovem terapeuta: Reflexões para psicoterapeutas, aspirantes e curiosos. Rio de Janeiro: Elsevier.
segunda-feira, 16 de maio de 2011
Qual é a função da Arte?
Os seres humanos (e alguns outros animais) possuem aparato biológico, fisiológico e condições contextuais que os permitem produzir coisas, sejam objetos ou formas diferentes de expressão. Essa expressão ou criação de objetos apresenta várias funções: ajudar em necessidades diárias, instruir (passar conhecimento), explorar seus limites como humanos, entreter a si mesmo e ao outros, entre muitas outras funções. Essas razões da expressão e produção de objetos também podem ser transpostas quando falamos de produções artísticas.
Mas o que a arte?
Como analista do comportamento digo que arte é uma expressão comportamental que acontece por meio de instrumentos que permitem ao ser que se comporta passar uma mensagem sobre seu "mundo interno" e sobre o contexto no qual está inserido. A arte pode ser vista, então, como mais uma via, um meio de expressar comportamentos internos (pensamentos, crenças, desejos, sentimentos, reflexões, etc.), além de expressar eventos do contexto social, histórico, interpessoal, etc. do artista.
A pessoa se comporta artísticamente, ou seja, produzindo objetos e se expressando de forma a ser considerada pelo outros como arte, porque este "se comportar artísticamente" produz consequências importantes para a manutenção não só do comportamento artístico, mas também de vários outros comportamentos que podem ter relação direta e indireta com a arte produzida. Pode ser que o artista, ao produzir sua arte, receba ganhos como: alívio psicológico ou prazer em ver a obra concluída, ganho financeiro, fama, valorização e aprovação social (ou reprovação, o que também pode ser reforçador* dependendo do caso), entre muitos ganhos que podem ter valor para o artista quando considerarmos sua história de vida.
Dito isso, fica mais fácil compreendermos a função da arte. Essa função não é só individual, com ganhos apenas para o artista; a arte tem uma importante função social, seja instrutiva ou também de expressão do ouvinte ou espectador. Em outras palavras, a arte se torna importante não só como forma de expressão do artista, mas também como meio de expressão e interpretação daqueles que apreciam a arte. Quando se ouve uma música, ou assisti teatro, filme, dança, ou se ver uma escultura ou pintura, estes estímulos produzem sensações (fisiológicas e psicológicas) que serão agradáveis, desagradáveis, duvidosas, neutras, etc. dependendo da história de vida de cada pessoas que está em contato com o estímulo. Algumas pessoas dizem: "As músicas da Ana Carolina falam muito sobre como eu me sinto e me vejo!". Isso quer dizer que na história de vida do ouvinte das músicas da Ana Carolina há elementos que dizem respeito ao seu aprendizado e repertótio emocional e/ou que "combinam" com as composições verbais e melódicas da cantora.

A arte apresenta funções gerais e individuais. Seja por entretenimento ou apreciação da obra, as pessoas vão buscar a arte por motivos variados, assim como terão sensações variadas na presença do estímulo "arte", e isso ocorrerá considerando toda a história de vida da pessoa.
*Reforçador: estímulo consequente que aumenta ou mantém a probabilidade de ocorrência de um comportamento.
Sugestão de leituras
http://www.spiner.com.br/modules.php?name=News&file=article&sid=192
http://olharbeheca.blogspot.com/2011/02/apreciacao-estetica-controle-de.html
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